A estratégia “esperta” das Lojas Riachuelo

Na véspera do reveillon resolvi dar uma volta no Farol Shopping para comprar uma camiseta e uma bermuda para passar a “virada” de ano. Fui em várias lojas e pesquisei bastante.
Como eu não conhecia a nova loja Riachuelo (já faz alguns meses que inaugurou), resolvi ir lá pra ver se algo me agradava. Selecionei algumas peças (a essa altura eu já estava escolhendo uma calça também 😉 e fui até o provador para ver como ficava.
Escolhi uma bermuda, uma calça e fui até o caixa (desisti da camiseta). Chegando lá, a atendente perguntou se eu iria usar o cartão “da loja” ou com outra forma de pagamento. Eu disse que iria pagar em dinheiro ou com o meu cartão de crédito, dependendo do valor total e das condições.
Nesse momento ela me ofereceu o cartão Riachuelo (GOLPE #1), argumentando que o cadastro e liberação do cartão eram rápidos, que eu teria 10% de desconto na primeira compra, que não haveria nenhuma taxa extra e nem anuidade. Mesmo com um pouco de pressa, resolvi encarar o “desafio”.
Enquanto chamava outra pessoa para me atender e fazer o cartão, a moça disse que eu deveria aproveitar a primeira compra e escolher mais roupas para ganhar os 10% de desconto (GOLPE #2).
Então ela chamou outra pessoa, essa outra pessoa ligou para outra pessoa e a terceira pessoa veio até o meu encontro, me pediu para ficar na frente de outro computador, depois mudou de ideia e pediu para eu subir até o escritório para o atendimento ficar mais “confortável” (GOLPE #3).
Subimos e lá encontrei outro cliente fazendo o cartão e logo em seguida chegou mais um, com o mesmo objetivo.
Depois de fornecer todos os documentos e informações, o atendente pediu para eu aguardar mais alguns minutos enquanto o cartão era confeccionado. Mas, se eu quisesse, poderia descer na loja e escolher mais algumas roupas (GOLPE #4).
Também houve um momento que o atendente comentou sobre o sorteio de uma viagem para o Rio de Janeiro (GOLPE #5).
Após uns 20 minutos (não foi tão rápido quando prometido) estava eu, com o cartão em mãos. Retornei até o caixa para realizar o pagamento, desta vez, utilizando o “super” cartão Riachuelo.
A atendente confirmou que eu teria realmente 10% de desconto na primeira compra e que poderia parcelar em até 8 vezes. Nesse momento, uma outra atendente (acho que gerente) complementou a oferta dizendo que haveria juros, mas que estava tudo incluído na parcela de vinte e poucos reais. Elas continuaram a sessão “convencimento” dizendo que, mesmo parcelando em 8 vezes, eu poderia adiantar o pagamento das parcelas conforme o meu interesse. E com o adiantamento, eu receberia mais descontos (GOLPE #6).
Apesar a proposta ser tentadora, em uma análise extremamente superficial (assim que eles enrolam os clientes), eu perguntei quais as outras opções de parcelamento. Elas disseram que eu poderia fazer em até 5 vezes sem juros. Mas, continuaram insistindo na opção de 8 vezes, pois segundo elas, seria mais interessante, sendo que eu poderia adiantar as parcelas, blá, blá, blá.
A cereja do bolo vem agora!
Percebendo a insistência desenfreada em me convencer do parcelamento em 8 vezes, resolvi perguntar qual seria o valor total desse parcelamento, caso eu não adiantasse nenhuma das 8 parcelas. A REPOSTA FOI…
“SENHOR, ME DESCULPE, MAS O NOSSO SISTEMA NÃO MOSTRA O TOTAL DO PARCELAMENTO. O QUE O SENHOR ESTÁ VENDO NA TELA (Eu nem havia percebido que tinha uma telinha virada pra mim :/), É O QUE APARECE PARA NÓS.” (GOLPE #7 – VALE POR 10!!!)
Com essa declaração, eles confessaram o crime (SIM, EU DISSE CRIME)!
Fiquei muito curioso, pedi um momento para a atendente e abri a calculadora do meu celular (Não sou muito bom em fazer cálculos matemáticos sem calculadora). Multipliquei vinte reais e alguns centavos, por 8 e a soma foi cerca de R$ 161,00. Mas o que isso tem de errado, Eder?
O total da minha compra, já com os 10% de desconto, era de R$ 107,00. Ou seja, se eu aceitasse a proposta de parcelar em 8 vezes e não conseguisse adiantar nenhuma das parcelas, eu pagaria, ao invés de R$ 107,00, R$ 161,00. Uma diferença de R$ 53,00!
Claro que o valor total, de R$ 107,00, é relativamente baixo e talvez nem valeria a discussão para a maioria das pessoas que está lendo este texto. Mas a questão não é essa, a questão é a diferença absurda entre o valor a vista (ou em 5 vezes no cartão) e o total das 8 parcelas. E mais absurda ainda, foi a tentativa de ocultar esse somatório de mim.
Sim, optei pelo parcelamento em 5 vezes.
Ah, Eder, parcelar R$ 107,00 em 5 vezes! Que “pobreza”! A questão também é essa.
Eu quero saber se as promessas relacionadas ao cartão Riachuelo são realmente verdadeiras, pois eles disseram que não teria nenhuma taxa extra e nenhuma anuidade.
Já recebi a primeira fatura e realmente consta só o valor da parcela, sem taxas, sem juros e sem anuidade. Vamos ver com as demais…
A minha intensão com este texto não é denegrir a imagem da loja ou convencer as pessoas a não comprarem lá. O que acho justo é exigir transparência total com o cliente. Sem meias palavras e sem dados ocultos.
O que chamo de “GOLPE” durante o texto, também pode ser chamado de “Estratégia de Venda”, mas não me convence.
Pensei em registrar a reclamação no Reclame Aqui, mas desisti da ideia. Pelo menos, por enquanto.
screenshot-www.reclameaqui.com.br 2016-01-16 15-09-40
A estratégia “esperta” das Lojas Riachuelo
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